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Louis Vuitton e Murakami na collab que atravessou gerações e voltou como símbolo cultural

Algumas colaborações não apenas marcam uma época — elas redefinem a relação entre arte, moda e desejo. A parceria entre a Louis Vuitton e o artista japonês Takashi Murakami é um desses casos raros. Lançada originalmente em 2003, a collab não só transformou o monograma da maison francesa, como inaugurou um novo imaginário visual para o luxo no século XXI.

Algumas collabs não envelhecem: atravessam gerações e se tornam parte da história cultural.

Na época, sob a direção criativa de Marc Jacobs, a Louis Vuitton rompeu com a rigidez clássica do luxo ao convidar Murakami para intervir diretamente em seu símbolo máximo. O resultado foi uma explosão de cores, personagens lúdicos, cerejeiras, cerejas e um monograma reinventado que dialogava com o pop, o street e o universo otaku — algo impensável para uma maison centenária até então.

Collab de Takashi Murakami com Louis Vuitton – Modelo
Zendaya

A bolsa branca com o monograma multicolorido rapidamente se tornou um ícone absoluto dos anos 2000. Celebridades, filmes adolescentes e editoriais de moda ajudaram a consolidar a coleção como um objeto de desejo global. Mais do que produtos, aquelas peças representavam uma mudança cultural: o luxo passava a flertar abertamente com a arte contemporânea e com a cultura pop.

Duas décadas depois, o impacto da collab permanece. Itens da coleção original tornaram-se raridades disputadas em brechós e plataformas de moda second-hand, muitas vezes alcançando valores superiores aos de seu lançamento. Com o retorno da estética Y2K e a revalorização dos anos 2000, o relançamento anunciado em 2024 parecia não apenas previsível, mas estratégico.

Naomi Campbell no desfile da Victoria’s Secret
Foto de Jason Nevader/WireImage

Agora, a Louis Vuitton revisita essa história com consciência de seu legado. A campanha estrelada por Zendaya, ícone da geração Z e embaixadora da marca, traduz a collab para um novo público sem perder sua essência. Vídeos, animações e trilha sonora contemporânea constroem uma ponte entre nostalgia e presente, criando uma nova camada de desejo para quem não viveu o impacto original.

A coleção retorna com releituras das clássicas Speedy, da icônica Pochette — eternizada no cinema — além de lenços, sapatos e versões atualizadas do monograma colorido, agora também sobre fundos escuros. O styling reforça a permanência da estética Y2K, mostrando que ela deixou de ser tendência passageira para se tornar um repertório cultural recorrente.

Regina George usa a bolsa LV Murakami em Meninas Malvadas.

Mais do que um relançamento, Louis Vuitton x Murakami prova que algumas collabs não envelhecem — amadurecem. Elas se tornam arquivos vivos da cultura, capazes de dialogar com diferentes gerações, contextos e desejos. Um lembrete de que, quando arte e marca se encontram de forma genuína, o resultado atravessa o tempo.

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